segunda-feira, maio 22, 2006

The first impression

Apesar da interessante descrição da cidade de Bangalore na Wikipedia, a realidade é bastante diferente. E como já dizia o poeta: "...there's no second chance for the first impression..."

A segurança no aeroporto de Bangalore era apertada: um guardinha sentado a que mais parecia um objecto de decoração do aeroporto. Mal passei por este simpático senhor, fui apresentado a um magote de Indianos com plaquinhas com nomes. Na Índia a definição de quantidades é um pouco diferente do que podemos encontrar em qualquer país Europeu. Na realidade, ao sair da porta do aeroporto encontrei umas 50 placas com nomes e uns 200 Indianos aos gritos. Pelo menos gritavam por mim: hey sir, please sir, need help sir!! Tive que parar para ver se encontrava o meu nome por ai perdido… e adivinhem lá… nada! Eram muitas placas, voltei a ler e confirmei novamente que NADA!!

Com a morada do apartamento no bolso só me restava apanhar um táxi. Tinha duas opções: ou mergulhava no molhe de taxistas que surgiam um pouco mais à frente, ou ia para a fila de 50 pessoas que se formava para o serviço de táxis pré-pagos. Optei pelo segundo, parecia de maior confiança!! Democraticamente coloquei-me no final da referida fila, mas rapidamente percebi que, na prática, os Indianos de democráticos têm pouco: a fila era teórica! Para não perder a paciência voltei para o local onde estavam as plaquinhas e lá descobri o Mr. Cruz! Uf!

Dois indianos estavam ali para me levarem para os apartamentos: Ganesh (responsável pelos apartamentos) e um ajudante. Fomos num Toyota Qualis, um todo-o-terreno muito comum por estas bandas. Explicaram-me que não iria ficar na primeira noite na mesma casa que os restantes colegas. Por mim, tudo bem… tenho 90 dias pela frente!!

Antes de aqui chegar já tinha andado a vasculhar no Google Earth onde poderiam ser os apartamentos e tinha uma ideia do caminho (considerando que o faríamos pelas estradas principais). A primeira coisa que me chamou a atenção foi balbúrdia e a guerra civil que é a rua… movimento, pobreza, magotes de pessoas, carros, motas, riquechó (ou auto-rickshaw), vacas na rua (sim, existem mesmo!). Tentei acompanhar o caminho, mas sem sucesso. Seguimos por estradas com buracos, buracos em forma de estrada, atalhos, estradas de terra… enfim, aquilo que eu hoje já tomo como normal!


...a senhora mimosa a vadiar na estrada!


...a bela calçada Indiana!


...tudo pela democracia!


...sad but true


Chegado ao sítio, precisava desesperadamente de um banho! Ainda tinha que ir ter aos apartamentos onde estavam os restantes colegas. Da parte da tarde tínhamos apresentação ao trabalho… Estou de rastos…

Bangalore

Location 12.58° N 77.35° E
State Karnataka
Altitude 920 metres
Area 224.66 km²
Population (city) (2006) 5,104,047
Population (2006) 6,158,677
Density 22,719/km²

Bangalore is the capital of the Indian state of Karnataka. Located on the Mysore Plateau in south-western Karnataka, Bangalore has an estimated metropolitan population of 6.1 million (2006), making it India's third-largest city and fifth-largest metropolitan area.

Home to prestigious colleges and research institutions, the city has the second-highest literacy rate in the nation. However, as a large and growing metropolis in the developing world, Bangalore continues to struggle with problems such as air pollution, traffic congestion, and crime.

Due to its elevation, Bangalore enjoys a pleasant and equable climate throughout the year. The highest temperature recorded is 38 °C (102 °F) and the lowest is 11 °C (52 °F). Winter temperatures rarely drop below 12 °C (54 °F), and summer temperatures seldom exceed 38 °C (100 °F). The wettest months are August, September and October, in that order. The summer heat is moderated by fairly frequent thunderstorms, and occasional squalls cause power outages and local flooding. Most of the rainfall occurs during late afternoon/evening or night, and rain before noon is infrequent. The heaviest rainfall recorded in a 24-hour period is 180 mm (7 in) recorded on 1 October 1997.

Bangalore is known as the Garden City of India because of its climate, greenery and the presence of many public parks, including the Lal Bagh and Cubbon Park. Deepavali, the "Festival of Lights", transcends demographic and religious lines and is celebrated with great vigour. Dussera, a traditional celebratory hallmark of the old Kingdom of Mysore, is another important festival. Bangalore has a handful of freshwater lakes and water tanks, the largest of which are Madivala tank, Hebbal lake, Ulsoor lake and Sankey tank.

Cricket is the most popular sport in Bangalore. A significant number of national cricketers have come from Bangalore, including current Indian cricket team captain Rahul Dravid, Gundappa Vishwanath and Anil Kumble. Many of the city's children play gully cricket on the roads and in city's many public fields. Bangalore's main international cricket stadium is the M. Chinnaswamy Stadium, which hosted its first match in 1974. Bangalore has a number of elite clubs, like the Bangalore Golf Club, Bowring Institute and the exclusive Bangalore Club, which counts among its previous members Winston Churchill and the Maharajah of Mysore.”


see more in http://en.wikipedia.org/wiki/Bangalore

terça-feira, maio 09, 2006

a viagem

Esperavam-me 12h de viagem (tempo máquina), que na realidade se iriam tornar numas agoniantes 24h graças à mais talentosa capacidade organizativa Indiana (já não tinha bastado todas as alterações a 24h da partida).

Para viajar para a Índia a partir de Lisboa, é sempre necessário fazer uma escala (pelo menos). Entre outras opções, podemos viajar para Londres ou para Paris e daí partir para um dos vários destinos na Índia. De acordo com o panfleto da British Airways (essa cambada de chulos!!), existem voos diários para seis destinos diferentes da Índia com partida de Londres.

Como eu sou um tipo (muito) complicado, e os Indianos já deviam saber disso, a minha viagem nunca poderia ser o mais simples possível. Apesar do primeiro itinerário corroborar com o parágrafo anterior, o itinerário final que me apresentaram permitia-me conhecer adicionalmente (e logo no primeiro dia) mais uma cidade Indiana: Chennai (antiga Madras) – nem que fosse só o Aeroporto. Como se não bastasse ter que aguentar uma viagem de 12h de voo, ter que fazer duas escalas havia ainda um extra: chegaria a Chennai às 3h locais para ter que esperar 7h!! para o avião que me levaria ao destino final… beleza!!

Lisboa - Londres - Chennai - Bangalore

Ora então vamos lá ver (valores em horas locais):

Viagem Lisboa - Londres
8h25m – Lisboa
11h05m - Londres

Viagem Londres - Chennai
12h55m – Londres
3h25m – Chennai

Viagem Chennai - Bangalore
10h20m - Chennai
11h10m – Bangalore

O desfasamento horário é o seguinte (para esta altura do ano):

  • Londres (GMT)
  • Lisboa (GMT)
  • Chennai (GMT +4h30m)
  • Bangalore (GMT +4h30m)

Enquanto esperava em Londres pelo voo que me ia levar para Chennai, cruzei-me com um dos colegas com que me ia encontrar na Índia: Daniel. Facilmente nos distinguíamos pela cor clara da pele e pela falta de bigode!! As restantes pessoas que ali estavam eram somente Indianos que iriam viajar para a sua terra natal… que felizes que estavam!! Por momentos pensei que estava no Martim Moniz… enfim!!

Podem pensar vocês que, pelo menos agora, teria companhia para viajar, mas não!! O Daniel é uma pessoa de sorte. A alteração que me levou a ficar mais 24h em Portugal foi a que me iria permitir conhecer a cidade de Chennai… obrigado, muito obrigado Índia! Os responsáveis Indianos pelo agendamento das viagens acharam, sabe-se lá porquê, que eu não devia fazer a viagem directa de Londres a Bangalore, ao contrário do Daniel que vinha de Madrid. Se calhar temos mais Indianos em Portugal que os Espanhóis na terra deles!! Não sei!! (mais tarde vou falar-vos dos diferentes percursos que cada um dos sete escolhidos fez, desde as suas terras até ao “Sillicon Valley” da Índia).

A verdade é que tive o meu primeiro contacto com a Índia precisamente às 3h00 de Domingo, em Chennai. Mal sai pela porta do avião, foi atropelado por uma onda de calor e humidade insuportável… fez-me lembrar Cuba! Recolhi as minhas malas e dirigi-me para o terminal de voos internos. Pelo caminho tive a oportunidade de contactar visualmente com imagens de um país de terceiro mundo: ruas sujas, edifícios velhos e mal cuidados, pessoas atiradas no caminho a dormirem ao relento e um cheiro nauseabundo. O terminal de voos internos estava apinhado de pessoas (com as suas respectivas malas) que esperavam pelas 8h da manhã para poderem viajar (hora dos primeiros voos). Eu teria que esperar até às 10h… sentado numa cadeira que se me colava às calças e abraçado às minhas malas… que bom!!

Passadas 7 horas, sem dormir, sem comer e a pensar constantemente “o que é que eu faço aqui?”, chegou a hora de… esperar mais 1h (avião atrasado)!! Eu mereço!!

12h00 Chego finalmente a Bangalore… já só faltam 90 dias para voltar!!

...baggage claim

Bangalore Airport (English), ?????????? (Kannada), !!!!!!!!!!!!!! (Indi)

sexta-feira, maio 05, 2006

...o dia da partida

Ganhei 24h! Fiquei bastante contente, apesar destas alterações serem bastante destabilizadoras, principalmente para uma viagem deste calibre. Assim sendo, podia ir ao aniversário de uma “velha” amiga :p. Hoje, ao escrever este post, lembro-me com saudade desse ultimo troço de carne que comi aí: uma bela picanha brasileira com arroz e feijão!

Nessa noite dormi umas míseras 2h, mesmo sabendo que durante a viagem que me esperava não iria conseguir dormir como habitualmente me acontece.

Chegou o grande dia, o dia da partida! Tudo estava a correr tranquilamente: tinha as malas prontas a tempo, cheguei ao aeroporto cedinho, os meus pais e irmã estavam comigo… e surpresa das surpresas: os meus melhores amigos tinham acordado de madrugada para se irem despedir – Pat, Nuno, Pato, Carolina… será que foi para garantirem a minha partida? : ehehhehe… sou uma pessoa com muita sorte!!
Mas, “como não há bela sem senão” fui surpreendido pela senhora da British Airways que me disse que a minha mala de cabine era demasiado grande…!!! (calma!!) Grande? Mas grande como? Tinha comprado uma Sansonite aprovada pela British Airways para cabine (55cm x 40cm x 15cm) e esta tipa a dizer que era grande!! Depois de muita discussão, e sem possibilidade de fazer mais nada, tive que pagar uma multa para poder levar a mala…nem vou referir o preço da multa para não chocar ninguém!

“Até daqui a daqui a 3 meses…”