sexta-feira, abril 28, 2006

Para onde mesmo? Índia?

Bastou um simples telefonema, numa tranquila tarde de Março, para que a minha vida desse uma volta de muitos graus. Aquilo que um dia tinha desejado estava preste a tornar-se realidade: uma experiência profissional no estrangeiro. Mas a coisa não me caiu como esperava. O “muito desejar” fez com que me alheasse de pormenores tão básicos e importantes como “estarei preparado?”.

Na realidade nunca se está preparado para uma proposta destas: “larga tudo o que tomas como seguro na tua vida, põe à prova a tua capacidade de sobrevivência, cresce como nunca antes…”. Visto isto desta maneira até parece que vou para a lua!! Mas na realidade fui brutalmente atropelado por um dos meus mais cobiçados sonhos (no bom sentido, diga-se). "Be carefull with what you wish… it might come true!!"

Pedi um dia para pensar e dar uma resposta. Fui ao encontro dos que mais amava para me aconselharem, confortarem naquele momento. Qual não foi o meu espanto, depois de ter desempenhado o mais fabuloso papel de “coitadinho”, dramatizando exemplarmente o que me estava a acontecer, quando fui drasticamente surpreendido com a resposta unânime: “…vai, isso é bom! …estamos tão contentes!...” Que era bom, eu sabia… mas… bolas! Enfim… (lá estou eu a dramatizar!!).

Decidido numa noite e confirmado após uma semana - meu próximo destino: Índia. A duração prevista é de três meses, mas irei posteriormente desenvolver a minha actividade profissional noutros destinos do mundo por um período de um ano.

A semana que antecedeu a minha viagem foi um autêntico teste à minha capacidade de organização, controlo de nervos e resistência a injecções! Com menos de duas semanas para tratar de tudo, apressei-me a procurar um médico especializado em medicina tropical. Qual não foi o meu espanto, quando me apercebi que o Instituto de Medicina Tropical estava “à pinha” com marcações para consultas de viajante e respectivas vacinas lotados para um período de várias semanas (ainda o pessoal se queixa da falta de dinheiro para viajar!). Depois de meia dúzia de contactos, lá consegui fazer a tal consulta, num hospital particular, e de uma assentada levar quatro maravilhosas doses de germes (vacinas): gripe, febre tifóide, tétano e difteria.

A história que vos conto neste parágrafo foi a que mais me maravilhou nesta fase. Como prova da eficiência e sentido de responsabilidade dos serviços de saúde portugueses, fui surpreendido com a impossibilidade de tomar a vacina (reforço) contra a poliomielite: a vacina estava esgotadíssima em Portugal havia um mês!! Mas… como é que é possível deixar esgotar a nível nacional uma vacina que faz parte do programa de vacinas obrigatórias, que todas as crianças têm que tomar aos 3 meses de idade? Esta foi a pergunta que fiz à enfermeira do Instituto de Medicina Tropical que me tranquilizou quando me respondeu: “O senhor não fique com a impressão que isto foi falta de organização dos Serviços de Saúde ou do Ministério (nunca na vida, já mais me passaria tal coisa pela minha cabeça!!). Mas de qualquer forma, não se preocupe: a Índia é o maior consumidor da vacina da poliomielite (ufa!! que alívio!!) pois a doença lá é muito comum (neste momento comecei a espumar!!). Assim sendo, e se não conseguir a vacina até partir, poderá deslocar-se a um hospital local e pedir que lhe administrem a vacina (esta mulher flipou!!)”. A minha reacção foi o silêncio e a cara que fiz foi de tal forma elucidativa que a senhora se aprontou a acrescentar: “Mas se o senhor acha que poderá ter dificuldades em encontrar lá a vacina (mas…. eu é que tenho que achar alguma coisa!!... tá doida esta gaja!!), vá telefonando para os centros de saúde que não se encontrem nas grandes cidades que poderá ter sorte e ainda encontrar alguma dose disponível (oh my god!! segurem-me!!)”. Enfim… temos o país que merecemos!! E o pior é que eu andei mesmo a telefonar para centros de saúde (que ficavam para lá de muito longe) à procura da dita cuja!! Sem sucesso e derrotado pelo surrealismo, decidi não tomar a referida vacina (tinha outro remédio?).

À parte destas pequenas, mas salutares, aventuras, consegui organizar tudo para vir. As despedidas foram acontecendo de acordo com as disponibilidades. Os meus amigos tiveram a amabilidade de organizar um jantar surpresa para celebrar (esta palavra não fica muito bem aqui!!) a minha ida!

...os 4 de sempre


...Gandi, Nuno e Paioso


...Bruno, Carolina, Ana (de partida para os USA) e Pato


...Jorge, Gonçalo e Luís


...eu e a Ana até tivemos direito a bolo personalizado!!


Mais uma vez, um muito obrigado a todos!!

Contactos e despedidas feitas, planos e objectivos delineados chegou o dia da viagem…ups!! Parece que não!! Quando tinha tudo preparadito, e a menos de 12h de embarcar, telefonam-me a informar que tudo tinha sido adiado por 24h!! Porra, um gajo assim não aguenta...

1 Comments:

Blogger Mike said...

Eh, eh... grandes aventuras! Parece-se com o meu episódio com a pior repartição de finanças do mundo... quiçá do País: Odivelas! Argh...

E já tomaste a vacina ou q?

Abraço,

Bruno

12:18  

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